Levantamento do Projeto SIGA-MS aponta que 87,2% da área monitorada já havia sido colhida até 28 de agosto; produtor entra na fase de dessecação, correção e adubação das áreas
A colheita do milho segunda safra 2025/2026 está na reta final em Mato Grosso do Sul. Até 28 de agosto, 87,2% da área acompanhada pelo Projeto SIGA-MS já havia sido colhida, segundo o Boletim Agricultura 676 da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), divulgado na segunda-feira (1º).
Com o avanço da colheita, os produtores começam a concentrar esforços na preparação das áreas que serão utilizadas para a próxima safra de soja. O trabalho inclui dessecação, correção do solo e adubação, aproveitando as condições encontradas no campo.
De acordo com a Aprosoja/MS, a umidade residual do solo e as pancadas de chuva isoladas registradas durante a semana têm favorecido a continuidade dessas operações.
Região Norte lidera colheita
O levantamento mostra diferenças no ritmo de colheita entre as regiões de Mato Grosso do Sul.
Na Região Norte, 98,8% da área monitorada já havia sido colhida até 28 de agosto. Na Região Centro, o percentual era de 86,3%, enquanto a Região Sul apresentava 85,6% de área colhida.
Os dados mostram que, apesar de a colheita estar avançada no Estado, ainda há áreas em operação, principalmente nas regiões Centro e Sul.
Produtividade varia entre 40 e 192 sacas por hectare
Segundo o Projeto SIGA-MS, as produtividades observadas nas áreas acompanhadas variam entre 40 e 192 sacas de milho por hectare.
A Aprosoja/MS relaciona o resultado às condições climáticas consideradas favoráveis ao longo do desenvolvimento da cultura. A estimativa é de que a segunda safra de milho termine com 11,139 milhões de toneladas produzidas em Mato Grosso do Sul, em uma área de 2,206 milhões de hectares.
É importante destacar que esses números representam estimativas e acompanhamento de campo, e não o resultado final consolidado da safra.
Controle de plantas daninhas entra no foco antes da soja
Com a aproximação do plantio da soja 2026/2027, uma das principais preocupações passa a ser o controle das plantas daninhas.
A Aprosoja/MS destaca especialmente a buva (Conyza spp.), apontada como um dos principais problemas no início da safra. O controle antecipado é considerado importante porque a presença da planta daninha pode prejudicar o desenvolvimento inicial da soja e reduzir o potencial produtivo da lavoura.
Segundo o analista técnico da entidade, Lucas Santana, o controle antecipado das plantas daninhas é uma das etapas mais sensíveis do início do ciclo.
Na prática, o produtor passa a trabalhar em duas frentes: enquanto termina a retirada do milho das áreas restantes, prepara as áreas já liberadas para receber a soja.
Colheita e preparação acontecem ao mesmo tempo
O momento é considerado uma fase de transição entre duas culturas.
Enquanto máquinas ainda trabalham na colheita do milho, outras operações já avançam nas áreas que serão destinadas à soja. Esse cronograma exige planejamento para evitar atrasos e permitir que o produtor aproveite adequadamente a janela de plantio.
Em Mato Grosso do Sul, a semeadura da soja 2026/2027 está autorizada a partir de 16 de setembro, conforme o calendário oficial. O período de vazio sanitário se encerra em 15 de setembro.
Por isso, produtores que pretendem iniciar o plantio nas primeiras semanas da janela precisam deixar as áreas preparadas antes dessa data.
Armazenagem também preocupa
Além do trabalho no campo, o avanço da colheita traz outro desafio: o escoamento da produção.
O Boletim Agricultura 676 chama atenção para saturação de silos de cerealistas e cooperativas em algumas regiões, com ocorrência de filas para descarga. A Aprosoja/MS recomenda que os produtores reforcem o planejamento logístico para evitar gargalos enquanto a colheita e a preparação das áreas acontecem simultaneamente.
O problema pode ser especialmente relevante em municípios de forte produção de grãos, onde grandes volumes de milho precisam ser retirados das propriedades em um período relativamente curto.
Próximo passo é a soja
Com quase nove em cada dez hectares monitorados já colhidos, a atenção do produtor sul-mato-grossense começa a mudar definitivamente do milho para a soja.
O desafio das próximas semanas será concluir a colheita, organizar o armazenamento e o transporte da produção e deixar as áreas prontas para a nova safra.
Para os produtores, a preparação envolve não apenas a disponibilidade de máquinas e insumos, mas também a avaliação das condições de solo e das previsões de chuva antes do início da semeadura.
Números da safra de milho em MS
87,2% — percentual da área monitorada já colhida até 28 de agosto
98,8% — área colhida na Região Norte
86,3% — área colhida na Região Centro
85,6% — área colhida na Região Sul
40 a 192 sacas/ha — faixa de produtividade observada
11,139 milhões de toneladas — estimativa de produção da segunda safra
2,206 milhões de hectares — área estimada da segunda safra
Fontes:
Aprosoja/MS — Boletim Agricultura 676 / Projeto SIGA-MS, com informações de campo coletadas até 28 de agosto de 2026. O Projeto SIGA-MS é executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc.
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) — calendário oficial de vazio sanitário e semeadura da soja.
Conab — 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, utilizado como referência oficial para o acompanhamento nacional da safra.