Chuvas favorecem início do plantio da soja em MS, mas Fundação MS alerta para cuidados com o solo
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 17/09/2026 11:49
Agro

Com mais de 50 milímetros de chuva acumulados em grande parte do Estado nos últimos sete dias, condições são consideradas favoráveis para a semeadura; em Maracaju, estação da Fundação MS registrou 96,6 mm

A janela de semeadura da soja em Mato Grosso do Sul começa oficialmente nesta quarta-feira (16), e as condições de umidade do solo são consideradas favoráveis para o início da implantação da safra 2026/27. Segundo avaliação da Fundação MS, as chuvas registradas nos últimos dias proporcionaram condições adequadas para a semeadura em boa parte do Estado.

De acordo com pesquisador da Fundação MS, Gean Leonardo Richter, do setor de Fitotecnia Soja, Pulses e Culturas de inverno, as precipitações dos últimos sete dias ultrapassaram 50 milímetros em grande parte de Mato Grosso do Sul. Com isso, os produtores já encontram umidade suficiente no solo para iniciar o plantio, desde que aguardem o momento adequado para a entrada das máquinas.

A entidade ressalta que a janela de semeadura foi flexibilizada nesta safra pelo órgão estadual. Com a mudança, o produtor pôde realizar a semeadura antes de 15 de setembro, desde que a emergência da soja ocorresse posteriormente.

Chuvas e previsão favorecem emergência

Além do volume acumulado, a previsão de curto prazo também é considerada positiva para o estabelecimento inicial da cultura.

 

Segundo a Fundação MS, as chuvas já registradas são suficientes para permitir o início da semeadura, enquanto a previsão para os próximos dias indica condições favoráveis para a emergência das plantas.

Neste momento, entretanto, o produtor precisa observar tanto o volume quanto a regularidade das precipitações.

“Ambos são muito importantes”, explica Gean. Segundo ele, o volume de chuva está favorável à semeadura e a previsão indica uma sequência de precipitações. Por isso, o produtor deve acompanhar as condições meteorológicas e verificar a umidade do solo antes de colocar as máquinas em operação.

O cuidado vale tanto para situações de solo excessivamente úmido quanto para uma eventual redução da umidade caso as chuvas diminuam.

Excesso de umidade pode prejudicar o solo

Antes de iniciar o plantio, a principal avaliação deve ser feita sobre as condições do solo.

A umidade precisa ser suficiente para garantir a embebição das sementes e a emergência das plântulas. Porém, quando o solo está muito úmido, a entrada de máquinas agrícolas pesadas pode provocar compactação.

Esse é justamente um dos principais pontos de atenção em Maracaju neste início de safra.

Na estação meteorológica da Fundação MS, localizada no município, foram registrados 96,6 milímetros de chuva até o momento.

Segundo o pesquisador, o volume garante condições para a implantação das primeiras áreas dentro da janela de semeadura, mas o produtor precisa esperar o solo atingir condições adequadas para suportar o trânsito dos equipamentos.

A recomendação é evitar a entrada de máquinas em áreas ainda encharcadas, reduzindo o risco de compactação e de problemas posteriores no desenvolvimento das plantas.

Primeiras chuvas também favorecem plantas daninhas

Outro fator que exige atenção após a chegada das chuvas é a emergência das plantas daninhas.

Com o aumento da umidade do solo, essas plantas também encontram condições para germinar e podem competir diretamente com a soja por água e nutrientes.

Por isso, a Fundação MS recomenda que o produtor esteja preparado para o manejo, considerando estratégias como a manutenção da palhada e o uso de herbicidas pré-emergentes, de acordo com a necessidade e orientação técnica para cada área.

Temperaturas elevadas não são o principal risco neste momento

As temperaturas elevadas previstas para Mato Grosso do Sul podem representar algum risco durante a emergência da soja. No entanto, segundo a Fundação MS, o risco é considerado pequeno diante das atuais condições de umidade do solo.

A maior preocupação, neste cenário, está relacionada à combinação de baixas temperaturas e elevada umidade, que pode favorecer a incidência de patógenos de solo.

Por isso, o acompanhamento das condições meteorológicas deve continuar mesmo após o início da semeadura.

Antecipação exige escolha adequada das cultivares

A ocorrência de chuvas mais cedo nesta safra abre espaço para uma possível antecipação da semeadura em algumas áreas.

Entretanto, a Fundação MS recomenda cautela. Um dos principais pontos que precisam ser observados é a continuidade das precipitações no longo prazo, especialmente em períodos superiores a 15 dias.

A escolha das cultivares também ganha importância nesse cenário, já que diferentes materiais apresentam respostas distintas quando submetidos à antecipação da semeadura.

“Esse ano as precipitações iniciaram mais cedo na safra atual”, destaca Gean. Segundo ele, diante dessa condição, o produtor deve considerar tanto a previsão de continuidade das chuvas quanto a utilização de cultivares mais adaptadas à antecipação.

Fundação MS mantém experimentos em Maracaju

A antecipação da semeadura também vem sendo estudada há anos pela Fundação MS, especialmente em Maracaju.

Os trabalhos envolvem diferentes cultivares de soja, comparando materiais semeados antecipadamente com aqueles implantados dentro do período considerado ideal.

Na safra passada, o ensaio com semeadura antecipada apresentou média de 79 sacas por hectare, enquanto a primeira época de semeadura alcançou 80 sacas por hectare.

A Fundação MS ressalta, porém, que houve variação de produtividade entre as cultivares utilizadas, reforçando a importância da escolha do material adequado para cada condição de cultivo.

Os resultados dos experimentos realizados pela instituição estão disponíveis gratuitamente no portal de resultados da Fundação MS.

Cenário exige atenção do produtor

Com a abertura da janela de semeadura e a recuperação da umidade do solo após as chuvas, o cenário é considerado favorável para o início da safra 2026/27 em Mato Grosso do Sul.

Em Maracaju, os 96,6 mm registrados pela estação meteorológica da Fundação MS reforçam essa condição.

O momento, porém, exige que o produtor não considere apenas a quantidade de chuva acumulada. A avaliação da umidade do solo, o momento correto para a entrada das máquinas, a previsão para os próximos dias, o controle de plantas daninhas e a escolha das cultivares estão entre os fatores que podem influenciar o estabelecimento inicial da lavoura.

Para a Fundação MS, portanto, a recomendação neste início de janela é aproveitar as condições favoráveis, mas evitar decisões baseadas exclusivamente no calendário. O estado do solo e a perspectiva de continuidade das chuvas devem orientar o momento de entrada das máquinas e o planejamento da implantação da soja.

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!