Mato Grosso do Sul entra na fase decisiva de preparação para a safra de soja 2026/27.
Faltam apenas quatro dias para o início oficial da semeadura, autorizado a partir de 16 de setembro. Antes disso, termina nesta terça-feira (15) o período de vazio sanitário, que vai desde 15 de junho.
O calendário é estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como medida fitossanitária para o controle da ferrugem-asiática. De acordo com o ministério, o calendário de semeadura e o vazio sanitário ajudam a reduzir a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi e os riscos de resistência aos fungicidas utilizados no controle da doença.
Custo passa de R$ 5 mil por hectare
Enquanto a abertura da janela se aproxima, o produtor chega ao novo ciclo com uma conta elevada.
Estudo técnico da Aprosoja/MS estima em R$ 5.024,82 por hectare o custo total médio para produzir soja na safra 2026/27. Com o preço de referência de R$ 119,52 por saca utilizado no levantamento, o produtor precisa colher 42,04 sacas por hectare para cobrir o custo total da atividade.
A entidade utiliza como produtividade de referência 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras.
O dado significa que, dentro das premissas utilizadas no estudo, existe uma diferença entre a produtividade de referência e o ponto de equilíbrio. Mas essa margem pode mudar conforme o preço da soja, a produtividade efetivamente obtida e os custos registrados ao longo da safra.
Insumos são a maior parcela da conta
Os insumos representam 61,27% do custo total estimado pela Aprosoja/MS. Fertilizantes, defensivos e sementes aparecem entre os principais componentes dessa despesa.
A entidade aponta ainda que o cenário de planejamento da safra envolve fatores como endividamento, juros, condições climáticas e ritmo de compra de fertilizantes.
Para o produtor, isso faz com que a decisão sobre a nova safra não dependa apenas da expectativa de preço da soja. O equilíbrio entre custo, produtividade e comercialização passa a ser fundamental.
Chuva pode ajudar preparação, mas distribuição será decisiva
O clima é outro ponto de atenção justamente na semana que antecede a abertura da semeadura.
O informativo mais recente do CEMTEC/Semadesc/Aprosoja-MS, válido de 11 a 14 de setembro, prevê instabilidade em Mato Grosso do Sul, com possibilidade de chuva forte, tempestades, rajadas de vento e granizo. Para Maracaju, são previstos volumes superiores a 20 milímetros nos dias 12, 13 e 14 de setembro.
O mesmo informativo estima, para o período de 10 a 25 de setembro, acumulados entre 60 e 200 milímetros no Estado, com os maiores volumes concentrados principalmente nas regiões Sul, Sudoeste, Central, Leste e Sudeste. O documento, porém, ressalta que previsões com prazo superior a três dias têm maior incerteza e devem ser acompanhadas nas atualizações semanais.
Para o produtor, o ponto mais importante é a regularidade da chuva. Ter precipitação prevista não significa, por si só, que todas as propriedades terão condições de iniciar o plantio no dia 16.
Produtor deve entrar no plantio com a área preparada
Em publicação de 8 de setembro, a Aprosoja/MS orientou produtores a aproveitar os últimos dias antes da semeadura para avaliar as condições do solo, conferir análises, planejar a adubação, organizar a compra de insumos e revisar máquinas e equipamentos.
A entidade também chama atenção para o controle de plantas daninhas, especialmente a buva, antes da semeadura. A orientação é entrar com a área limpa para evitar competição com a soja desde o início do ciclo.
Exportações continuam mostrando demanda pela soja de MS
Outro indicador importante neste momento é o comércio exterior.
Segundo dados divulgados pela Aprosoja/MS com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do ComexStat, Mato Grosso do Sul exportou 530,5 mil toneladas de soja em agosto, volume 36,7% superior ao registrado em agosto de 2025. A receita chegou a US$ 239,1 milhões, alta de 48,9% na comparação anual.
A China respondeu por 81,2% das exportações estaduais de soja no mês. Apesar do crescimento na comparação anual, o volume embarcado em agosto foi 43,1% menor que o registrado em julho.
Os números mostram que a demanda externa continua importante para a cadeia da soja em Mato Grosso do Sul, mas também revelam oscilações no ritmo dos embarques de um mês para outro.
Estado chega à nova safra depois de um ciclo de produção recorde
A Aprosoja/MS informa que Mato Grosso do Sul encerrou a safra 2025/26 com 16,7 milhões de toneladas de soja, produtividade de 60,4 sacas por hectare e área produzida de aproximadamente 4,6 milhões de hectares.
A expectativa inicial para a safra 2026/27, porém, é de 52,4 sacas por hectare, uma redução de 13,2% em relação à safra anterior, segundo estimativa do Projeto SIGA-MS citada pela própria entidade.
Esse número ainda é uma estimativa, e não o resultado final da safra.
Próximos dias serão decisivos
Com o calendário se aproximando, o produtor sul-mato-grossense entra em uma semana importante para definir o início das operações.
A data de 16 de setembro representa a abertura legal da semeadura, mas a decisão de plantar dependerá das condições de cada área. Além da umidade do solo, entram no planejamento os custos da lavoura, a disponibilidade de insumos, o controle fitossanitário e as condições climáticas.
Para o setor, portanto, o desafio da nova safra começa antes mesmo da primeira semente ser colocada no solo.
FONTES UTILIZADAS
Aprosoja/MS — informações sobre calendário, preparação da safra, custos de produção, exportações e estimativas da soja em Mato Grosso do Sul.
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) — regras nacionais de vazio sanitário e calendário de semeadura da soja para a safra 2026/27 e informações do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja.
CEMTEC/Semadesc/Aprosoja-MS — Informativo de Previsão do Tempo nº 64/2026, válido de 11 a 14 de setembro, com previsão de chuva e condições meteorológicas em Mato Grosso do Sul.
Secex/ComexStat — dados de comércio exterior utilizados no boletim econômico da Aprosoja/MS.