Com a aproximação das Eleições 2026, o uso de inteligência artificial para produzir vídeos, áudios e imagens realistas aumenta a preocupação com a circulação de conteúdos falsos na internet.
O alerta foi reforçado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que lançou nesta terça-feira (22) a segunda edição do Guia Internet, Democracia e Eleições. A publicação destaca os desafios provocados pelas chamadas deepfakes, conteúdos manipulados digitalmente capazes de reproduzir ou alterar rostos, vozes e manifestações de pessoas.
Conteúdo falso pode parecer verdadeiro
Segundo o guia, a popularização das ferramentas de inteligência artificial tornou mais simples produzir conteúdos sintéticos com aparência realista, muitas vezes sem necessidade de conhecimento técnico avançado.
Na prática, isso pode resultar em vídeos nos quais um candidato parece dizer algo que nunca falou, áudios com vozes reproduzidas artificialmente ou imagens de situações que nunca aconteceram.
O CGI.br também chama atenção para outro efeito: a circulação de conteúdos falsos pode fazer com que até informações verdadeiras passem a ser questionadas.
TSE tem regras específicas para uso de IA
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral de 2026.
Quando houver utilização de conteúdo sintético multimídia produzido ou significativamente alterado por IA, o responsável pela propaganda deve informar de maneira explícita, destacada e acessível que o material foi fabricado ou manipulado e indicar a tecnologia utilizada. A regra vale para conteúdos em texto, áudio, vídeo e imagem, conforme as normas do TSE.
O TSE também definiu, em setembro, critérios para caracterizar um deepfake. A Corte considera esse tipo de conteúdo aquele produzido ou manipulado por IA ou tecnologia equivalente, com grau de realismo ou verossimilhança capaz de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.
Eleições acontecem em outubro
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. Serão escolhidos presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Um eventual segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Com a campanha eleitoral em andamento, a circulação de conteúdos políticos nas redes sociais tende a ganhar ainda mais espaço.
Como identificar uma possível montagem?
Antes de compartilhar um vídeo, áudio ou imagem relacionado às eleições, algumas medidas podem ajudar:
- verifique quem publicou o conteúdo;
- procure a informação em outros veículos de comunicação;
- confira se o material aparece nos canais oficiais da pessoa ou instituição citada;
- desconfie de conteúdos que provoquem uma reação emocional imediata;
- observe cortes estranhos, alterações na voz ou movimentos incomuns na imagem;
- evite compartilhar o material enquanto a informação não for confirmada.
O próprio CGI.br recomenda verificar a origem das informações e consultar outras fontes antes de compartilhar conteúdos que possam ser falsos ou manipulados.
Onde denunciar?
O TSE mantém o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), canal destinado ao recebimento de alertas sobre conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto que possam afetar a integridade das eleições.
O sistema pode receber denúncias relacionadas, por exemplo, a informações falsas sobre urnas eletrônicas, processo eleitoral e páginas que tentem se passar por órgãos da Justiça Eleitoral.
Já situações relacionadas especificamente a candidatos, pesquisas ou partidos podem seguir os canais próprios indicados pela Justiça Eleitoral.
Para o eleitor, a principal recomendação é simples: antes de compartilhar, pare, confira a fonte e procure confirmação em canais confiáveis.