Câncer de próstata mata quase 49 homens por dia no Brasil, mostram dados do Ministério da Saúde
Número de óbitos chegou a 17.826 em 2024; doença é uma das principais causas de morte por câncer entre os homens
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 30/09/2026 11:31
Saúde

O câncer de próstata matou 17.826 homens no Brasil em 2024, segundo dados do Atlas de Mortalidade por Câncer, elaborado a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. O número representa uma média de aproximadamente 48,8 mortes por dia, ou cerca de duas mortes a cada hora.

Os dados reforçam a dimensão do câncer de próstata como um importante problema de saúde pública no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tumor está entre os cânceres mais frequentes na população masculina e a incidência aumenta significativamente com o avanço da idade.

Mortes aumentaram nos últimos anos

Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com base no Painel de Monitoramento de Mortalidade do Ministério da Saúde, aponta que o número anual de mortes por câncer de próstata passou de 14.984, em 2015, para 17.587, em 2024, crescimento de aproximadamente 21% em dez anos. Naquele levantamento, a média calculada para 2024 era de 48 mortes por dia.

O dado mais recente disponibilizado pelo INCA, no entanto, registra 17.826 mortes em 2024 no Atlas de Mortalidade por Câncer. A diferença ocorre porque as bases e atualizações estatísticas podem sofrer revisões e consolidações. Para esta reportagem, o número do Atlas de Mortalidade do INCA/SIM foi utilizado como referência oficial mais atual encontrada.

Próstata é o câncer mais incidente entre os homens

Além da mortalidade, o cenário de novos casos também chama atenção.

Na estimativa mais recente do INCA para o período de 2026 a 2028, o câncer de próstata representa 30,5% dos casos de câncer entre os homens, sendo o tipo mais incidente nesse grupo, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

O instituto estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil durante o triênio.

A idade é apontada pelo INCA como um dos principais fatores de risco. A incidência e a mortalidade aumentam significativamente depois dos 60 anos. Histórico familiar de câncer de próstata antes dos 60 anos e excesso de gordura corporal também estão entre os fatores associados ao maior risco.

Doença pode não apresentar sintomas no início

Um dos problemas do câncer de próstata é que ele pode evoluir silenciosamente, principalmente nas fases iniciais.

De acordo com o INCA, quando aparecem, os sintomas podem incluir dificuldade para urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar com maior frequência durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina. Em estágios avançados, o paciente pode apresentar dor óssea e outras complicações.

O instituto alerta, entretanto, que esses sintomas não significam necessariamente câncer, já que também podem estar relacionados a outras doenças. Por isso, a orientação é procurar avaliação médica.

Diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento

A detecção em fases iniciais pode proporcionar melhores resultados no tratamento. A Sociedade Brasileira de Urologia afirma que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata pode apresentar chances de cura superiores a 90%, dependendo das características e do estágio da doença.

O tratamento depende de fatores como estágio, agressividade do tumor e condições individuais do paciente. Segundo o INCA, entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, vigilância ativa em situações específicas e tratamentos hormonais, especialmente nos casos mais avançados.

Ministério da Saúde não recomenda rastreamento em massa

Um ponto importante é que não se deve confundir diagnóstico precoce com rastreamento populacional.

O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas, porque, segundo a avaliação das evidências disponíveis, os benefícios não superam os possíveis riscos para a população em geral.

A recomendação é que homens com sintomas ou fatores de risco procurem um profissional de saúde para uma avaliação individualizada. A decisão sobre exames como PSA e toque retal deve considerar o histórico e as características de cada paciente.

Um alerta para a saúde masculina

Os números do Ministério da Saúde mostram a dimensão do câncer de próstata no Brasil: 17.826 homens morreram pela doença em 2024, enquanto a estimativa para os próximos anos aponta para quase 78 mil novos diagnósticos anuais.

Mais do que uma campanha de conscientização, os dados reforçam a importância de os homens conhecerem os fatores de risco, não ignorarem alterações urinárias e procurarem atendimento médico diante de sinais ou dúvidas sobre a própria saúde.


Fontes consultadas

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) / Ministério da Saúde — Atlas de Mortalidade por Câncer e dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil.
  • INCA / Ministério da Saúde — Informações sobre câncer de próstata, fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento.
  • Ministério da Saúde / INCA — Nota técnica sobre o não rastreamento populacional do câncer de próstata.
  • Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Dados da campanha Novembro Azul e levantamento baseado no Painel de Monitoramento de Mortalidade do Ministério da Saúde.
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