Exportações de carne bovina crescem 47,9% em MS e reduzem distância para a celulose
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 26/08/2026 08:08
Agro

Proteína movimentou US$ 1,17 bilhão no primeiro semestre de 2026 e ampliou participação na pauta de exportações de Mato Grosso do Sul

A carne bovina ganhou participação nas exportações de Mato Grosso do Sul durante o primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o produto movimentou US$ 1,17 bilhão no mercado internacional, resultado 47,9% superior aos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O avanço também foi observado no volume embarcado. Mato Grosso do Sul exportou 198,1 mil toneladas de carne bovina nos seis primeiros meses do ano, aumento de 23,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Com esse desempenho, a proteína passou a responder por 20,6% do valor exportado pelo agronegócio sul-mato-grossense. A celulose, que aparece à frente da carne bovina na pauta estadual, representou 25,3% das exportações.

A aproximação ocorreu em um período de crescimento para a carne bovina e de redução da receita da celulose. Enquanto as vendas externas da proteína avançaram 47,9%, a receita obtida com a celulose caiu 16,6%. A soja, principal produto exportado pelo Estado, registrou alta de 30,5%.

No total, o agronegócio de Mato Grosso do Sul exportou US$ 5,68 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 12,4% na comparação com igual período de 2025. O setor representou 96,1% de todas as exportações estaduais.

China amplia compras

Segundo a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o resultado da carne bovina está relacionado ao comportamento da demanda internacional e à competitividade do produto brasileiro.

“Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta. A China, principal destino da carne bovina de MS, ampliou em 109% o valor das compras no período, enquanto os Estados Unidos aumentaram em 41,7%”, afirma.

O aumento do preço médio da proteína também contribuiu para a alta da receita. O valor médio por tonelada exportada por Mato Grosso do Sul cresceu 19,7% no primeiro semestre. Em sentido contrário, o preço da celulose registrou queda aproximada de 7,8%.

Para Eliamar, a diferença no comportamento dos mercados ajudou a reduzir a distância entre os dois produtos na pauta exportadora.

“A carne bovina ganhou espaço em função de condições favoráveis de mercado, enquanto a celulose enfrentou um cenário de preços internacionais menos favoráveis”, informa.

A consultora ressalta, no entanto, que o avanço da carne bovina não significa necessariamente uma substituição da celulose na pauta estadual, mas uma mudança na participação relativa de cada produto nas exportações.

Pecuária registra saldo positivo de empregos

O desempenho da pecuária também se refletiu no mercado de trabalho. No primeiro semestre, a criação de bovinos acumulou saldo positivo de 455 empregos formais. Considerando todo o segmento da pecuária, o resultado foi de 611 novos postos de trabalho entre janeiro e junho.

Apesar do crescimento acumulado no semestre, os dados de julho apontaram desaceleração nas vendas externas de carne bovina. A receita das exportações de Mato Grosso do Sul para a China caiu 46% em julho na comparação com junho. Considerando todos os destinos, a redução foi de 17%.

O setor também acompanha possíveis mudanças nas condições de acesso a importantes mercados internacionais. Entre os pontos citados estão a cota chinesa para importações com tarifa reduzida e novas exigências da União Europeia relacionadas à comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal.

“Nesse cenário, a continuidade do desempenho dependerá da capacidade de diversificar mercados, preservar a competitividade da carne brasileira e manter a demanda internacional. O câmbio, os preços internacionais e as condições de acesso aos principais mercados também serão determinantes para a formação da receita do setor no segundo semestre”, ressalta a consultora de Economia.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!